Uma Esfinge sem Segredos

Histórias da realidade fictícia de vidas convexas...

18:30h - Em meio ao trânsito central carioca, quase chegando nos arcos da Lapa, surge um selvagem pipoqueiro que possuía famigerados saquinhos de pelinhas.
Olho aquela preciosidade, mas minha vergonha obesa não permite expressar meus sentimentos.
Eis que o meu herói diz: Huumm pelinha, pena que o sinal ta aberto.
Yo, la rica pancita: Ah, se tivesse fechado chamava o cara. Uma pena, mesmo.
Herói: Vai lá amor, que eu te espero. ahaha
Yo, la rica pancita: Ah ta! Estou descalça já.
Herói:Eu iria. Vou correndo.
Both: ahahahahhaha
Herói: Vou encostar o carro e você vai.
Both: ahahahahhaha
Yo, la rica pancita: Então pára que eu vou.
Herói: Mas você está descalça...
Yo, la rica pancita: Já calcei. hihi
Both: ahahahahhaha



Eis que o argiloso sinal não fecha, mas o herói dessa noite vai parando devagarinho já na rua da frente, me dá a carteira e eu salto do carro correndo enquanto ele segue para dar a volta.



O pipoqueiro já deve estar acostumado com a hora do rush, rapidamente me entrega os saquinhos de pele (sim, espectadores, foram dois) já na sacolinha, com guardanapos e tudo.



Me imagino a Lara Croft Plus Size andando atenciosa e estrategicamente procurando o carro. Na emoção, não havíamos nem combinado onde ele iria parar.
Eis que quando chego perto do fim daquela ruela meu herói aponta em minha direção, vem devagar... Atravesso a rua num salto e ele consegue chegar a mim bem na hora que o sinal fechou.
Vitória!



Em meio a muitas gargalhadas, mãos engordurada e o fígado gritando, eu disse que iria escrever sobre essa aventura com grandes doses de colesterol. Nosso herói me indicou tirar a foto para ilustrar. Mas, mas... Já era tarde demais.


BCaroline @bc_esfinge


Voltei... Não sei se por dois segundos ou se para a vida toda. Vou postar um texto meu inédito aqui no blog, mas que a tempos o confeccionei (sim, é uma arte), mas que de qualquer forma ainda cabe tê-lo aqui.


O LAGO

Mesmo no mais rigoroso inverno, se fazia questão de todas as ma

nhãs ajoelhar-se em frente ao lago. Paralisada como por hipnose, ficava cerca de 20 minutos olhando para dentro dos seus próprios olhos refletidos na límpida água.

Naquele momento nada mais existia, tudo a sua volta se transparecia no vazio, como se transportasse para uma dimensão que só existia ali: sua doce e frágil alma.

Este ritual era cumprido de uma forma natural para ela assim como escovar os dentes ou se lavar.

Certo dia, ao acordar, seguiu direto ao banho, não demorou mais que 10 minutos. Com a toalha atrelada ao corpo, pegou instantaneamente uma calça jeans escura, uma camiseta arroxeada e uma casaco qualquer.

Sentou à mesa da cozinha para tomar o café e algumas torradas, enquanto penteava os cabelos. Escovou os dentes e depois, somente passou o batom, apanhou a bolsa no aparador e saiu.

No mesmo rotineiro caminho matinal, indo até o lago, não olhava nem para os lados, não ouvia nenhum cumprimento e andava sempre em frente como uma cega que se guiava pelo instinto.

Sempre, em todas as manhãs, era ela quem abria o imenso portão velho de metal. Exceto aquele dia...

Quando se aproximara da entrada do parque, viu uma grande movimentação de homens e máquinas trabalhando já a ‘grande vapor’.

Fingindo para si mesma não acreditar, em seu mais profundo íntimo já sabia o que acontecera.

Andou, ‘insanamente’, empurrando, como barreiras móveis, as pessoas que tentavam a impedir seguir em frente.

Sua bolsa escorregou pelos seus braços caídos, pois seu corpo só respondia ao estímulo norteado de chegar ao destino.

O lago.

Estacionou seu corpo, que sem qualquer força, caiu ajoelhado no cimento fresco.

Nada mais refletia ali. E seus olhos já não mais se enxergavam. Só via, anuviadamente, um embaçado ardido de suor e lágrimas.

Seu corpo foi desvaindo, as forças já não existiam ali.

Todos aqueles homens pararam atônitos ao seu redor. Embasbacados, nenhum daqueles trabalhadores teve a audácia de pronunciar qualquer som, muito menos palavras.

Apenas velavam, com olhos embotados, aquela desconhecida, morta, afundando num mar de cimento e lágrima.

Mais uma vez, ordinariamente, fez perder-se um lago, uma mulher, uma vida, um olhar, uma alma...


BC**


Era tarde e o sol já havia desaparecido para seu descanso diário. Notadamente as estrelas trabalhavam em seu lugar, e tinha-se a impressão que nesta noite, elas estavam estimuladas a brilhar mais que o de costume. Talvez fosse a minha felicidade que as tornava mais encantadoras.

Em meio ao meu entorpecimento de admiração, surgiu um lapso dos problemas, esses espinhos que ferem os olhos à realidade. Não consegui entender porque as nuvens, mesmo as mais leves, pesam mais que o brilho e calor do Sol? Pesam tanto que se desintegram e transformam-se nessas imensas gotas salgadas que brotam dos meus olhos em chama. Neste momento não há sol, não há nada que as façam parar de correr em minha face. A dor em minha cabeça são essas nuvem se chocando, formando esses raios. Não há sol, não há orvalhos, não há brisa que me faça flutuar e fazer parar de chover.






BC



Tenho consciência, ser amado, que sequer suspeito do que seja faísca da verdade declarada como tal. Mas com minhas experiências, sozinha ou em tua presença, irradiando felicidade ou amargando o fel de sofrer como um cão na sarjeta, cheguei ao cerne desta minha suspeita verdade de vida.

Só se aceita e goza-se o verdadeiro amor quando se é e se deixa ser livre. Aprendi que o amor não se resume em estar ao lado de sua paixão. Por mais que se queira compartilhar, este nobre sentimento nasce de um ser único, brota com vontade própria de existir, apenas damos a permissão que desabroche. Este amor é feito uma criança, um filho qual gera, alimenta com seu sumo mais valioso e vitamínico, o educa, ensina valores, certo e errado e quando no auge, na explosão, este se torna livre. E é aí quando ele realmente existe.

Escrevo-te agora sem rimas e sem ao menos escolher as palavras, mas neste papel há respingos salpicados da minha alma. São como brilhantes refletindo minha felicidade de descoberta de um amor livre e puro.

Nem quero sequer pensar que poderia outra vez causar-lhe peso, rugas, angústias e desgostos desnecessários de minhas lembranças. Não quero mais forçar-te a pensar num futuro que ainda não existe. Só penso em ver o branco alegre do teu sorriso cegar-me, mesmo que eu não tenha sito a autora desta felicidade reluzente.

O amor não é orgulhoso e permite sim que outros objetos, talvez não com a mesma função ou desígno, nem no mesmo lugar na estante, mas ilumina-se em ver o bem feito a quem se ama, mesmo estando distante, em outro mundo. Prefiro ser Carolina feliz, observando da janela, do que ser protagonista de beijos não quistos.

Envergonho-me quando lembro quantas vezes forcei um “prazer ilusório”, um prazer torturado. O gosto e admiração pela sua carne cegava-me sem permitir que visse a grandeza e beleza de sua alma. Ainda admiro esse corpo moreno que tanto me encanta, mas agora tua alma é tão clara, linda que não mais me acuso de não ter o belo corpo que julgava que você merecia, pois agora é meu espírito alegre e vivente que está em compatível beleza ao seu, quero mostrar. Sinto mais viva, mais bela e feliz. Isso porque me entendo mais, me cobro como ser passível de erro em busca de evolução. A perfeição é loucura.

Compreendo agora o que fazer com esse sentimento que gerei, alimentei, ensinei e eduquei. Ele explodiu e tornou-se livre, na mais bela forma de liberdade. Sorrisos e gentilezas me tornam leve e aquecida. Se o amor começa a transbordar, começo a distribuir leves doses por aí, não com a mesma fórmula que dispenso à você, mas que é capaz de adoçar um amargor.

Quero encontrar-te mais que nunca, mas quero lhe dar um longo abraço e dizer da felicidade que sinto vendo sua leveza e que não desejo mais pesar-te. Quero-o livre. Livre quem sabe para amar, mais principalmente livre para ser feliz, para poder sentir esse aquecimento que tenho agora da certeza de que nada há que se fazer, senão viver.

Espero que um dia sinta esse amor, se já o gerou, que cultive, alimente, eduque e o liberte. Que ele seja gerado por qualquer ser, por qualquer motivo, ou nenhum. Obrigada por ser o meu objeto despertador para a vida adormecida em mim. Acorde também e venha caminhar comigo. Há tempo e me alcanças.


Beijos!

BC

Decifra-me... Pode perguntar?? All! http://formspring.me/bcesfinge

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Era tarde e o sol já havia desaparecido para seu descansando diário. Notadamente as estrelas trabalhavam em seu lugar, e tinha-se a impressão que nesta noite, elas estavam estimuladas a brilhar mais que o de costume. Talvez fosse a minha felicidade que as tornava mais encantadoras. Em meio ao meu entorpecimento de admiração, surgiu um lapso dos problemas. Esses espinhos que ferem os olhos à realidade e não consegui entender porque o as nuvens, mesmo as mais leves, pesam mais que o brilho e calor do Sol?

Decifra-me ou devoro-te...

Não vai me decifrar nunca...

Soy Yo

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A ESFINGE indecifrável, que não própria se entende. E está presa nas próprias teias... Eu sou uma pessoa extremista, um pouco altruista. Fácil e difícil de se lidar, depende de qm for. Eu sou mto forte, por fora... Alguns chegam a dizer q sou doce, mas esses não podem comentar, talvez isso esteja no fundo do meu cerne. Eu qro é mais viver!! Mas tenho medo da vida... Eu amo estando sozinha... Sou fiel aos meus princípios, mesmo batendo a cabeça na parede. Mas posso mudar se ver q o 1+1 talvez não seja realmente 2. Bom pra maioria eu não me fiz entender. Uffa que alívio... Fico feliz com quem entendeu, vem cá...

BC e a hora certa ;)