Volto em baixo estilo... mas pelo menos regressei. Prometo melhorar, aprimorar e TENTAR tirar todas as decepções das faces dos leitores.
Um dos seus maiores defeitos, teimosia. Quando quer uma coisa, pode haver um abismo, um infinito, mas Marie vai lá e pula de cabeça. Foi assim na sua infância, como aos seis anos montou ‘ao seu modo’, sozinha, sua piscina plástica infantil. Foi assim em sua juventude quando não despintou o cabelo “exótico” na escola militar. E assim também para conseguir uma vaga na faculdade, no emprego. E não é diferente no amor. A diferença neste caso do amor, é que nos outros quesitos, ela pulava, se lançava, insistia e ganhava. O amor ainda não teve esta fase premiada.
Do tipo feminista, rocha, forte, que não engole sapos. Isso para quem a vê de fora, por dentro ela se retorce por ter o que é principal de todos os âmbitos, o amor. Aos olhos externos, o amor não existe em sua vida. Ela concorda que ele não vive ali , mas sabe quanto ele explode dentro de si.
Sentada na poltrona do seu escritório, olhava sem ver, todos os livros da estante relembrando momentos passados com aquele amor. Amor que ela sabia que só vivia em seu cerne.
Com uma mão segurando a alça da xícara de café e a outra com os dedos roçando os lábios ela imaginava as cenas de quando Jacque chegaria.
Jacque era um matemático que vivia longe da cidade de Marie. Se conheciam desde sempre, mas foi na adolescência dela que tudo aconteceu. Desde o começo ela tomou a iniciativa. Ainda olhando o nada, Marie lembrava o dia em que ela se declarou, e ele pasmo, se desviando em palavras, nem a cuspia, nem a beijava. E sem que ela percebesse, aquele seria uma amostra do que viria pela frente. Apesar de se beijarem no ano seguinte e ela ter sua vida em nuvens, ele partiu. E voltaria só depois de muito tempo. Seco, frio como uma manha de outono.
Num estalo, Marie voltou-se para a manhã do outro dia. Dia em que o reencontraria.
Mais uma vez, como em todos os anos, Marie queria libertar desse mono-amor em que só ela amava. Mas até nos pensamentos ela se via acabando em seus braços. Era muito confuso para ela, um amor gratuito, não correspondido. E não era paixão, porque apesar de anos que se viam (mesmo que esporadicamente) nunca chegaram a transar realmente. Era com todas as certezas do universo, um amor puro e verdadeiro.
Apenas Lili, sua leal e paciente amiga, sabia de toda a história. Ela queria apenas o bem de Marie, e sempre insistia para que ela saísse, para que conhecesse pessoas novas. Para que olhasse para os homens que a cortejavam. Para que oferecesse oportunidade para aqueles que ajoelhavam aos seus pés. Lili entendia a cegueira de Marie. E quando Marie chegava sempre contando dos seus momentos bons e frustrados com Jacque , ela a ouvia pacientemente.
Marie se lembrava da amiga, enquanto pensava na chegada de Jacque . Pensava em ligar pra ela e marcar uma viagem para fugir daquele local, para não encontrá-lo. Não teve coragem de largar a xícara em sua mão, sequer ainda de pegar o telefone. Preferiu refletir sobre sua coragem, sobre o questionamento da família de Jacque , sobre a racionalidade firme dele, sobre o amor que ele não sentia, nem sequer sabia que existia. E foi pensando que iria deixá-lo para sempre e guardar aquele amor só para si, que ela adormeceu sobre a escrivaninha.
Ao acordar com a primeira luz da manhã batendo no seu rosto, Marie levantou-se automaticamente e caminhou até o toillet, abriu a ducha e lá deixou a água cair sobre seu corpo por quase uma hora. Uma hora livre, sem pensamentos, sem angustia, apenas a delícia da água lavando seu corpo e sua alma.
Quando já desperta em seu quarto, se secando e decidindo qual roupa usar, lembrou-se que era o dia fatídico. Virou-se para o grande espelho do armário, arqueou as sobrancelhas e decidiu ali mesmo que acabaria com tudo.
Deliciou-se calmamente com seu café da manha, teve um produtivo e excelente dia de trabalho, ainda bebericou umas coisas com algumas amigas e sorridentemente voltava pra casa.
No caminho, pouco antes de chegar a casa, verificou uma mensagem de Jacque em seu celular: “Cheguei, ok.” Simples, dura e seca como ele.
Ela não sabia se era a bebida ou se foi o impacto, mas seu corpo ficara fraco. Assim como seu coração arrebentou-se da barreira que ela própria colocara de manhã. Respondeu imediatamente a mensagem agradecendo a vinda e o saudando. Iriam se encontrar. Era fatal.
Se encontraram na mesma noite em sua casa. Quando a campainha tocou, seu coração disparou como se fosse pular para fora do peito. Ela abriu a porta sem o olhar, o convidou para sentar. Assim ela o olhou, timidamente. Ele sentado e ela de pé a sua frente conversaram por 3 minutos coisas corriqueiras, quando ele levantou e a beijou. Não houve resistência. Amor! Palavra que ele tanto foge, mesmo que mono. Ela o agarrava de forma tão intensa que parecia que não o soltaria. O cheirava, beijava sua face. E tudo voltara ao normal. Decidiram dar uma volta pela cidade. Caminharam juntos ora abraçados, ora de mãos dadas. Olhavam-se com ternura. Como se o amor deixasse de ser mono e virasse co-amor. Uma tontura solta em sua cabeça, não a deixava estar completa naquele momento, porque questionava se aquilo era real, se era espontâneo da parte dele.
Já voltara a esperança de um futuro juntos. E ela sentia que de certa forma ele estava presente. Voltaram para casa de Marie. E ali sim desabrocharam todas as vontades, todas as paixões. Num ato Kamikaze, ela depreendeu de toda timidez que havia e admitiu que se explorassem mutuamente naquele vulcão de hormônios, de saudade, de vontade. Como se naquele momento nada mais houvesse, nenhuma mágoa, nem ressentimento, nem escadas, nem paredes, janelas e o mundo. Só possuíam dois corpos em febre.

3 comentários:
Para as mulhers...
Quero
Quero gritar ao mundo que sou mulher e livre.
Quero gritar com a juventude do meu ser
Que é possível ser feliz.
Com meu jeito, dons e características,
Serei testemunha da vida existente em cada ser humano.
Quero transparecer a alma habitada do universo,
Grávida da única forma de vida,
Fazer o bem,
Fazer acontecer na história,
Onde quer que esteja a presença fecunda do Espírito de Luz.
Ser mulher,
E livre das amarras,
Da mediocridade, acomodação.
Ser mulher da nova geração,
Cheia de encanto,
Graciosa e misteriosa,
Respondendo com coragem neste novo século!
Cleonice Barrozo
Itapipoca - CE
Beijo especial
Sinta-se homenageada
Feliz dia internacional da mulher. =)Sobre a história apenas um comentário...
A conta de água e luz dessa garota vai vir carinha... 1 hora de água corrente! O.õ.
Atenciosamente Li-San~~ =]
Amiga amei o seu texto.....
simplesmente lindo
Foi feito com muita emoção
amei do inicio ao fim
bjs
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